amor-206Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa : “A rosa não tem “porquês”. Ela floresce porque floresce.” Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema As Sem-Razões do Amor. É possível que ele tenha se inspirado nestes versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento. “Eu te amo porque te amo…” – sem razões… “Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.” Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. “Amor é estado de graça e com amor não se paga.” Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que “amor com amor se paga”. O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo. “Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse.
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Amor foge a dicionários e a regulamentos vários… Amor não se troca… Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo…” Drummond tinha de estar apaixonado ao escrever estes versos. Só os apaixonados acreditam que o amor seja assim, tão sem razões.
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Mas eu, talvez por não estar apaixonado (o que é uma pena…), suspeito que o coração tenha regulamentos e dicionários, e Pascal me apoiaria, pois foi ele quem disse que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Não é que faltem razões ao coração, mas que suas razões estão escritas numa língua que desconhecemos. Destas razões escritas em língua estranha o próprio Drummond tinha conhecimento, e se perguntava: “Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior? A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco.” O amor será isto: um soco que o desconhecido me dá? Ao apaixonado a decifração desta língua está proibida, pois se ele a entender, o amor se irá. Como na história de Barba Azul: se a porta proibida for aberta, a felicidade estará perdida. Foi assim que o paraíso se perdeu: quando o amor – frágil bolha de sabão – não contente com sua felicidade inconsciente, se deixou morder pelo desejo de saber.
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O amor não sabia que sua felicidade só pode existir na ignorância das suas razões. Kierkegaard comentava o absurdo de se pedir aos amantes explicações para o seu amor. A esta pergunta eles só possuem uma resposta: o silêncio. Mas que se lhes peça simplesmente falar sobre o seu amor – sem explicar. E eles falarão por dias, sem parar… Mas – eu já disse – não estou apaixonado. Olho para o amor com olhos de suspeita, curiosos. Quero decifrar sua língua desconhecida. Procuro, ao contrário do Drummond, as cem razões do amor… Vou a Santo Agostinho, em busca de sua sabedoria. Releio as Confissões, texto de um velho que meditava sobre o amor sem estar apaixonado. Possivelmente aí se encontre a análise mais penetrante das razões do amor jamais escrita. E me defronto com a pergunta que nenhum apaixonado poderia jamais fazer: “Que é que eu amo quando amo o meu Deus?” Imaginem que um apaixonado fizesse essa pergunta à sua amada: “Que é que eu amo quando te amo?” Seria, talvez, o fim de uma estória de amor. Pois esta pergunta revela um segredo que nenhum amante pode suportar: que ao amar a amada o amante está amando uma outra coisa que não é ela. Nas palavras de Hermann Hesse, “o que amamos é sempre um símbolo”. Daí, conclui ele, a impossibilidade de fixar o seu amor em qualquer coisa sobre a terra. Variações sobre a impossível pergunta: “Te amo, sim, mas não é bem a ti que eu amo. Amo uma outra coisa misteriosa, que não conheço, mas que me parece ver aflorar no seu rosto. Eu te amo porque no teu corpo um outro objeto se revela. Teu corpo é lagoa encantada onde reflexos nadam como peixes fugidios… Como Narciso, fico diante dele… No fundo de tua luz marinha nadam meus olhos, à procura… Por isto te amo, pelos peixes encantados…”(Cecília Meireles)
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Mas eles são escorregadios, os peixes. Fogem. Escapam. Escondem-se. Zombam de mim. Deslizam entre meus dedos. Eu te abraço para abraçar o que me foge. Ao te possuir alegro-me na ilusão de os possuir. Tu és o lugar onde me encontro com esta outra coisa que, por pura graça, sem razões, desceu sobre ti, como o Vento desceu sobre a Virgem Bendita. Mas, por ser graça, sem razões, da mesma forma como desceu poderá de novo partir. Se isto acontecer deixarei de te amar. E minha busca recomeçará de novo…” Esta é a dor que nenhum apaixonado suporta. A paixão se recusa a saber que o rosto da pessoa amada (presente) apenas sugere o obscuro objeto do desejo (ausente). A pessoa amada é metáfora de uma outra coisa. “O amor começa por uma metáfora”, diz Milan Kundera. “Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética.” Temos agora a chave para compreender as razões do amor: o amor nasce, vive e morre pelo poder – delicado – da imagem poética que o amante pensou ver no rosto da amada…

 Rubem Alves

03-2Como saber se aquele carinha que você está interessada realmente gosta de você? E quando você leva uma sútil bota é culpa sua ou é porque você é demais para o gatinho?

Boa parte destas perguntas entre tantas outras foram surgindo ao assistir o filme “Ele não está tão afim de você”.  Ao decorrer do filme me identifiquei muito com a personagem Gigi e creio que muitas outras pessoas também.       
Gigi é tipicamente o personagem “romântico” que mesmo com as diversidades existentes não desiste de continuar lutando para encontrar sua metadinha da laranja.

Mas qual seria o problema de acreditar no amor e buscar vivenciar este sonho romântico?
Sinceramente se o mundo fosse cor de rosa…nenhum!!!!!!!!!!! Mas a realidade que temos é bem diferente, afinal quantas pessoas são a exceção e quantas são a regra na relação amorosa.

ele-nao-esta-tao-a-fim-de-voceEsclarecimento rápido para você leitor(a)
Exceção: Aquela mulher que conseguiu ficar com um tranqueira que depois se tornou o princípe encantando. Ou melhor dizendo são os mitos, aquelas histórias que ouvimos da amiga que ouviu da outra amiga que acabou encontrando o amor da sua vida no mercado e vivem felizes, que namorou alguém na infância e depois de anos eles se encontraram e se casaram.
Regra: Para as pessoas comuns. Pessoas que se o namorado traiu no começo do relacionamento pode ter certeza que ele não gosta tanto de você e irá trair novamente, que se o cara não ligou não foi porque um parente morreu ou perdeu o número e sim pelo simples fato de que ele não gostou de você.

Duro né? Sei bem… choque total de realidade.

Infelizmente gostamos de acreditar que no fundo aquele príncipe encantando irá vir nos resgatar da nossa vida e iremos construir um futuro maravilhoso ou acreditamos que existe uma pessoa simplesmente feita a nossa maneira. Como se Deus tivesse moldado uma pessoa especialmente sobre medida para nós. Até considero que venha daí a idéia dos opostos se atraem, pensem comigo… Se lembra da música Eduardo e Mônica do Renato Russo, seria bem essa situação que colocam na nossa mente. Que temos que encontrar alguém que seja diferente de nós, para que assim sejamos completos, inteiros. Se você é bonzinho tem que arranjar um malzinho. Se você é inteligente tem que achar um burrinho e assim por diante.

Se formos pensar nos bombardeios emocionais e condicionamentos que vamos tendo ao decorrer da nossa vida, não me surpreende os índices de divórcios, de traições, o surgimento de concepções de amor livre.
Está mais fácil ficarmos sozinhos ou  sermos adeptos do “amor sem posse”. Porque é naturalmente difícil você ter maturidade suficiente para ter um relacionamento nos dias de hoje, nesta banalização do amor, do desejo, do companheirismo e talvez devesse haver de dizer que estamos na época da covardia emocional. Criamos tantos pontos de fugas que nos perdemos entre eles mesmos.

Como saber se estamos sendo exageradas(os) com o ideal de amor romântico séc XIX ou libertinos-medrosos do séc XXI?
De todo o jeito estamos entre dois extremos, de um lado acredita-se que existe alma gêmea e de outro que só existe prazer sexual. Nossa concepção de amor deveria nos dias de hoje ser algo saúdavel , que nos elevasse, fizesse crescer e , como disse nosso amigo Espinosa não podemos viver sem amor, já que o amor é o que nos faz viver: ” Em razão da fragilidade de nossa natureza, sem algo de que gozemos, a que estejamos unidos e por que sejamos fortalecidos, não poderíamos existir.”
3Então me arrisco a dizer, que devemos amar sim. O amor pode ser uma emoção, porém não devemos deixar de manter o nosso senso racional em alerta. Não, adianta entregarmos nossas almas e corpos a quem sequer sabe quem somos. Afinal, analisem os fatos, se você gosta de alguém e esse alguém já lhe diz que não quer nada sério contigo por que insistir? Se você está interessada por alguém e este tal alguém não te liga, por que insistir nesta pessoa?  Se a pessoa da qual você se relaciona lhe traiu, por que insistir em alguém que você não pode confiar?            
Sair deste ideal de amor, não é deixar de acreditar no amor. Mas é entender que não precisamos ficar com alguém que sabemos que não gosta de gente, para alimentar uma idéia cultural de almas gêmeas, príncipe encantado, afinidades ou qualquer outra idéia que faça-nos submissas aos designos do que chamamos de “destino”.

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