Estava em uma palestra essa semana sobre os “Saberes e política na Idade Média” da Terezinha Oliveira na USP.
Nesse ensaio falou-se muito sobre a questão do ser humano produzir ou não conhecimento, como ser um ser atuante na sociedade e qual era a educação na Idade Média.
Fiquei perplexa com sua palestra e somente deu mais ênfase na importância de lermos tudo, conhecermos tudo para que assim possamos ter um intelecto agente na sociedade.
Afinal serei eu um ser atuante na sociedade ou não?
Além disso ela quebra a estigma de que a Idade Média era somente feita de homens únicos e subordinados pelo poder eclesiástico. Introduzindo assim a concepção de que os pensadores da Idade Média afirmavam que sem conhecimento você não se coloca na sociedade e os homens devem ter consciência do conhecimento que eles têm.
Quem dera que nessa fase de pós-modernidade tivessemos essa idéia ou pelo menos um insight que possibilitasse a consciência de que devemos sim ter um passado, devemos sim ler, devemos sim ter “mestres” como referências para que possamos chegar a um ser de genuinidade.
Estamos com fome de heróis, de mestres, de princípios e de revoluções.
Gianni Vattino (2001) diz:
“a chamada “pós-modernidade” aparece como uma espécie de Renascimento dos ideais banidos e cassados por nossa modernidade racionalizadora. Esta modernidade teria terminado a partir do momento em que não podemos mais falar da história como algo de unitário e quando morre o mito do Progresso. É a emergência desses ideais que seria responsável por toda uma onda de comportamentos e de atitudes irracionais e desencantados em relação à política e pelo crescimento do ceticismo face aos valores fundamentais da modernidade. Estaríamos dando Adeus à modernidade, à Razão (Feyerabend) Quem acredita ainda que “todo real é racional e que todo real é racional”(Hegel)? Que esperança podemos depositar no projeto da Razão emancipada, quando sabemos que se financeiro submetido ao jogo cego do mercado? Como pode o homem ser feliz no interior da lógica do sistema, onde só tem valor o que funciona segundo previsões, onde seus desejos, suas paixões, necessidades e aspirações passam a ser racionalmente administrados e manipulados pela lógica da eficácia econômica que o reduz ao papel de simples consumidor”.