03-2Como saber se aquele carinha que você está interessada realmente gosta de você? E quando você leva uma sútil bota é culpa sua ou é porque você é demais para o gatinho?

Boa parte destas perguntas entre tantas outras foram surgindo ao assistir o filme “Ele não está tão afim de você”.  Ao decorrer do filme me identifiquei muito com a personagem Gigi e creio que muitas outras pessoas também.       
Gigi é tipicamente o personagem “romântico” que mesmo com as diversidades existentes não desiste de continuar lutando para encontrar sua metadinha da laranja.

Mas qual seria o problema de acreditar no amor e buscar vivenciar este sonho romântico?
Sinceramente se o mundo fosse cor de rosa…nenhum!!!!!!!!!!! Mas a realidade que temos é bem diferente, afinal quantas pessoas são a exceção e quantas são a regra na relação amorosa.

ele-nao-esta-tao-a-fim-de-voceEsclarecimento rápido para você leitor(a)
Exceção: Aquela mulher que conseguiu ficar com um tranqueira que depois se tornou o princípe encantando. Ou melhor dizendo são os mitos, aquelas histórias que ouvimos da amiga que ouviu da outra amiga que acabou encontrando o amor da sua vida no mercado e vivem felizes, que namorou alguém na infância e depois de anos eles se encontraram e se casaram.
Regra: Para as pessoas comuns. Pessoas que se o namorado traiu no começo do relacionamento pode ter certeza que ele não gosta tanto de você e irá trair novamente, que se o cara não ligou não foi porque um parente morreu ou perdeu o número e sim pelo simples fato de que ele não gostou de você.

Duro né? Sei bem… choque total de realidade.

Infelizmente gostamos de acreditar que no fundo aquele príncipe encantando irá vir nos resgatar da nossa vida e iremos construir um futuro maravilhoso ou acreditamos que existe uma pessoa simplesmente feita a nossa maneira. Como se Deus tivesse moldado uma pessoa especialmente sobre medida para nós. Até considero que venha daí a idéia dos opostos se atraem, pensem comigo… Se lembra da música Eduardo e Mônica do Renato Russo, seria bem essa situação que colocam na nossa mente. Que temos que encontrar alguém que seja diferente de nós, para que assim sejamos completos, inteiros. Se você é bonzinho tem que arranjar um malzinho. Se você é inteligente tem que achar um burrinho e assim por diante.

Se formos pensar nos bombardeios emocionais e condicionamentos que vamos tendo ao decorrer da nossa vida, não me surpreende os índices de divórcios, de traições, o surgimento de concepções de amor livre.
Está mais fácil ficarmos sozinhos ou  sermos adeptos do “amor sem posse”. Porque é naturalmente difícil você ter maturidade suficiente para ter um relacionamento nos dias de hoje, nesta banalização do amor, do desejo, do companheirismo e talvez devesse haver de dizer que estamos na época da covardia emocional. Criamos tantos pontos de fugas que nos perdemos entre eles mesmos.

Como saber se estamos sendo exageradas(os) com o ideal de amor romântico séc XIX ou libertinos-medrosos do séc XXI?
De todo o jeito estamos entre dois extremos, de um lado acredita-se que existe alma gêmea e de outro que só existe prazer sexual. Nossa concepção de amor deveria nos dias de hoje ser algo saúdavel , que nos elevasse, fizesse crescer e , como disse nosso amigo Espinosa não podemos viver sem amor, já que o amor é o que nos faz viver: ” Em razão da fragilidade de nossa natureza, sem algo de que gozemos, a que estejamos unidos e por que sejamos fortalecidos, não poderíamos existir.”
3Então me arrisco a dizer, que devemos amar sim. O amor pode ser uma emoção, porém não devemos deixar de manter o nosso senso racional em alerta. Não, adianta entregarmos nossas almas e corpos a quem sequer sabe quem somos. Afinal, analisem os fatos, se você gosta de alguém e esse alguém já lhe diz que não quer nada sério contigo por que insistir? Se você está interessada por alguém e este tal alguém não te liga, por que insistir nesta pessoa?  Se a pessoa da qual você se relaciona lhe traiu, por que insistir em alguém que você não pode confiar?            
Sair deste ideal de amor, não é deixar de acreditar no amor. Mas é entender que não precisamos ficar com alguém que sabemos que não gosta de gente, para alimentar uma idéia cultural de almas gêmeas, príncipe encantado, afinidades ou qualquer outra idéia que faça-nos submissas aos designos do que chamamos de “destino”.