Conhecer-se a si mesmo é uma grande valia para a felicidade, tanto para termos noção mais concreta de nossas potencialidades quanto para sabermos dos nossos defeitos” (DEMO, 2001). O procedimento da auto-análise, sem dúvida, pode conduzir o sujeito para desenvolver a coragem de construir um estilo de vida com autocrítica e compromisso de melhorar alguns aspectos da própria vida e dos outros, também. Alguns estudos confirmam antigas sentenças filosóficas que já apontavam sobre o melhor caminho para a felicidade: o altruísmo e a manutenção das amizades. (“Ninguém pode ser feliz sem amigos”, dizia o velho Aristóteles. “As pessoas felizes de nossa época são aquelas que ajudam o próximo”, conclui a pesquisa de A. Maslow). Em vez de ficar obsessivamente buscando “a” felicidade, deveríamos sustentar uma certa “alegria de viver”[10] no nosso próprio eu, e que pudesse ser irradiada para também animar o próximo. Seria uma “alegria que nasce da verdade” ou sabedoria[11].

Fragmento retirado da revista espaço acadêmico – nº59- abril de 2006 -A Felicidade existe? – Freud, a psicanálise e a felicidade

Ambos pensaram que um sentimento repentino tinha os unido.
Esta certeza era bela, ainda mais bela que a incerteza
Eles pensaram que não conheciam uma ou outro…nada tinha acontecido entre eles,
estas ruas
estas escadas
estes corredores
Onde eles poderiam ter se encontrado há tanto tempo?
Eu gostaria de perguntar a eles
se eles talvez conseguissem se lembrar
talvez de uma porta giratória, face a face um dia?
Um “desculpe” na multidão
“número errado” ao telefone?
Mas eu sei a resposta
não, eles não lembram
como eles ficariam felizes
por tanto tempo já
o azar tem brincado com eles
ainda não todo pronto
Que os traz para mais perto, ainda mais longe
cortando seus caminhos e abafando uma risada solta mais tarde
houve sinais, indicações
indecifráveis, o que se torna assunto
Três anos atrás
talvez
ou mesmo na última segunda-feira
esta folha voando
De um ombro para o outro?
Algo perdido e recuperado
quem sabe talvez uma bola já nos arbustos
na infância?
Houve maçanetas, campainhas
onde no rastro de uma mão
outra mão colocada
casacos perto um do outro no guarda-volumes
e talvez uma noite o mesmo sonho
esquecido na caminhada
mas todo movimento
é apenas uma continuação
e o livro do destino está sempre aberto no meio.

(Wislawa Symborska)

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